Pílula Vermelha 6 – Quem são os bancos?

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Os bancos não são vilões. São essenciais para o desenvolvimento.

Na verdade não. Crédito é essencial, não os bancos. É possível pensar em outros meios de criar crédito, fora doa bancos. Aliás, no Brasil, a maior parte do crédito não é criado pelos bancos, mas só distribuído por eles. Minha Casa, Minha Vida, Plano Safra, Ponaf, BNDES… Tudo isso é criado pelo governo e distribuído pelos bancos.

Ah, então você quer defender os bancos públicos.

Sim e não. Se vamos ter bancos, é melhor que sejam públicos, mas o ideal é não ter bancos como os entendemos hoje. Existem alternativas possíveis. Bancos comunitários e cooperativas de crédito por exemplo. São propostas locais, autogestionárias, baseadas em propriedade coletiva e com a ideia de usar as possibilidades de um banco para fazer bem a seus associados e sua comunidade, em vez de meia de acionistas. O problema com bancos públicos é que muitas vezes eles são administrados exatamente como um banco privado (o que eles chama de “profissionalização”) com o objetivo de gerar dinheiro para o governo fazer superávits, e enterrar dinheiro no sistema bancário.

Hoje, que os bancos públicos estão sendo atacados é importante os defender contra a privatização, mas sem a ilusão que é esse modelo que queremos.

Então o banco que você quer é o que não ganha dinheiro?

O que não ganha dinheiro à custa de explorar todo mundo que for possível, da pior forma possível. É uma aberração ética aceitar que uma empresa só precisa gerar lucro, independente dos meios que use para isso. Os bancos no mundo, mas especialmente no Brasil não agem como uma parte saudável da economia, mas como parasitas. Usam dinheiro e influência para defender políticas que causam um sofrimento imenso para as pessoas para conseguir mais e mais bilhões de lucros. Defendem a reforma da previdência com afinco, porque isso vai gerar lucros a médio prazo. Defendem cortes na saúde, educação e assistência social, porque isso garante o seu pagamento de juros. Não se trata de ganhar dinheiro, mas de o que eles fazem, que limites ultrapassam, para ganhar dinheiro.

Você fala como se os bancos fossem os políticos.

Não são os políticos em si, mas quem disse que precisam ser? Não são só políticos eleitos que tem poder sobre a política. Os bancos tem um poder de pressão imenso, como podemos ver pela manipulação de 2002, em que criaram um pânico econômico que só acabou quando Lula fez a Carta aos brasileiros, garantindo que os interesses dos bancos seriam preservados. Que exige que a independência do Banco Central seja debatida a cada eleição. Que um governo só possa dar certo se “o mercado”, ou seja, eles, concordarem.

Os bancos tem um poder muito maior que os políticos eleitos, porque controlam a lógica que os políticos seguem, alguns obrigados, porque senão eles geram uma crise, alguns de bom grado, porque acham os números azuis na planilha mais importantes que gente passando fome.

Você está misturando economia e ética.

E por que não deveria? Eu sou marxista, então para mim “economia” significa “o modo como a vida é produzida e reproduzida”, e não um conjunto de indicadores mortos. Não é IPCA, USD, Ibovespa, mas como as nossas vidas se realizam. Não é a toa, que antigamente isso se chamava Economia Política. O pecado original do capitalismo é acreditar que um sistema baseado no egoísmo de todos tem chances de dar certo. Esse modelo predatório leva à concentração cada vez maior de dinheiro e poder em poucas mãos, como aconteceu com os bancos, e a partir de certo ponto essas poucas mãos tem poder o bastante para modelar a política. E, pela lógica do egoísmo, continuam a explorar tudo e todos, mas agora não apenas nos seus negócios, mas no governo que devia buscar o bem estar de todos, não servir de ferramenta para a exploração de alguns poucos burgueses.

Pílulas Vermelhas: Modo de Usar

 

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